
Andrew Wyeth
(american watercolourist).
Willard's Coat, 1968
(american watercolourist).
Willard's Coat, 1968
HILTON BESNOS
Carpe diem.
Para nós, sapiens, o valor máximo é a autopreservação. Buscamos então, ante qualquer hipótese, seguirmos vivendo, independentemente das tragédias pessoais, sociais, econômicas ou naturais que nos atinjam. Contudo, ao longo da vida, um número ainda pequeno de pessoas tem condições ou nível de informação para cuidar dessa casquinha milagrosa que denominamos "corpo". Somos eternamente finitos nessa configuração, mas eternamente infinitos no entendimento obscuro de nossos desmesurados egos.
Ao sentirmos a proximidade da morte, fazemos um mea culpa. De todo modo, dizem os que passaram pela experiência de quase-morte que tudo que fizemos nos vem à mente, como se o tempo congelasse. Quando nossas vidas correm risco efetivo, não nos importa nada do que seja material, e que tanto nos consome em tempo, trabalho ou fortuna adquirida. Não nos importa termos casas, apartamentos, automóveis, contas bancárias, família, compromissos, se nossos casamentos são reais ou aparentes, se detestamos, se amamos, se temos terrenos, se somos especuladores ou se nos dedicamos demais ao trabalho. Há um momento em que tudo isso se esvai, e então percebemos tardiamente que nada possui mais valor do que a vida.
No momento em que sentimos a experiência da morte, esquecemos nossas aparências e nosso consumismo, nossas misérias morais, ideológicas ou éticas. Animais que somos, nosso único foco é continuar por aqui. Contudo, há aqueles que, por serem altamente espiritualizados, sabem que para todos há o instante da passagem e na sua psiquê aceitam tal circunstância como algo natural e irremediável. Buscam algo a mais, que os gregos chamavam de "religare", o sentido mais alto de nossas vidas, quando abandonamos o corpo material, encarnado, para consagrarmos nossas almas para um bem maior, transcendente.
Para nós, sapiens, o valor máximo é a autopreservação. Buscamos então, ante qualquer hipótese, seguirmos vivendo, independentemente das tragédias pessoais, sociais, econômicas ou naturais que nos atinjam. Contudo, ao longo da vida, um número ainda pequeno de pessoas tem condições ou nível de informação para cuidar dessa casquinha milagrosa que denominamos "corpo". Somos eternamente finitos nessa configuração, mas eternamente infinitos no entendimento obscuro de nossos desmesurados egos.
Ao sentirmos a proximidade da morte, fazemos um mea culpa. De todo modo, dizem os que passaram pela experiência de quase-morte que tudo que fizemos nos vem à mente, como se o tempo congelasse. Quando nossas vidas correm risco efetivo, não nos importa nada do que seja material, e que tanto nos consome em tempo, trabalho ou fortuna adquirida. Não nos importa termos casas, apartamentos, automóveis, contas bancárias, família, compromissos, se nossos casamentos são reais ou aparentes, se detestamos, se amamos, se temos terrenos, se somos especuladores ou se nos dedicamos demais ao trabalho. Há um momento em que tudo isso se esvai, e então percebemos tardiamente que nada possui mais valor do que a vida.
No momento em que sentimos a experiência da morte, esquecemos nossas aparências e nosso consumismo, nossas misérias morais, ideológicas ou éticas. Animais que somos, nosso único foco é continuar por aqui. Contudo, há aqueles que, por serem altamente espiritualizados, sabem que para todos há o instante da passagem e na sua psiquê aceitam tal circunstância como algo natural e irremediável. Buscam algo a mais, que os gregos chamavam de "religare", o sentido mais alto de nossas vidas, quando abandonamos o corpo material, encarnado, para consagrarmos nossas almas para um bem maior, transcendente.
Mas, o que éramos antes de nascermos? Uma expectativa, um niilismo infindável? Seria o nosso nascimento uma "morte" provinda de outro plano? A verdade é que não temos respostas objetivas para tais perguntas, apenas miragens. O que dizem as religiões? O que ensina a filosofia? O que pretende o materialismo? Há somente poucas verdades insofismáveis: nossas vidas não são infinitas e se encontram atreladas ao tempo e às degradações da nossa bio. Fora isso, a certeza de que todos os momentos em que deixamos de viver, no sentido social ou natural não retornarão.
Outrossim, as religiões, as seitas e as doutrinas interpretam distintamente o futuro post mortem. Logo, em razão de tal diversidade inexiste uma resposta única. Embora o fato morte seja universal para qualquer ser vivo, as interpretações são múltiplas. Inferno, paraíso, purgatório, reencarnação são todas expressões ligadas ao sentimento religioso. Para os não-espiritualizados, o fim da vida coincide com o fim do corpo e da matéria.
De todo, a necessidade de viver é imperiosa.
Sem vida não há virtudes, não há aprendizagem, não há bens de nenhuma ordem. Para a maioria das religiões, o que você faz hoje orienta suas possibilidades após a morte. Fim ou não, reencarnação ou não, deveríamos colocar a vida em seu papel central. E essa não prescinde o aprendizado comum, a generosidade, a coragem, o respeito ao próximo. A vida é uma sucessão temporal e histórica. Não somos apenas o horror, a chantagem, os infinitos jogos que fazemos e deixamos fazer ao longo de nossa passagem por aqui. Talvez pensemos nisso no momento em que se aproximar o momento de deixarmos nossa vida comum e anestesiada pela cobiça e pela inveja e pelo moralismo inócuo. Talvez no momento da morte deixemos nossas hipocrisias e nos vejamos tão só como personagens de uma infinita ficção. É bem possível que apenas no momento da passagem, saibamos e aprendamos o que, naquele instante, nos é dado abandonar.
Sem vida não há virtudes, não há aprendizagem, não há bens de nenhuma ordem. Para a maioria das religiões, o que você faz hoje orienta suas possibilidades após a morte. Fim ou não, reencarnação ou não, deveríamos colocar a vida em seu papel central. E essa não prescinde o aprendizado comum, a generosidade, a coragem, o respeito ao próximo. A vida é uma sucessão temporal e histórica. Não somos apenas o horror, a chantagem, os infinitos jogos que fazemos e deixamos fazer ao longo de nossa passagem por aqui. Talvez pensemos nisso no momento em que se aproximar o momento de deixarmos nossa vida comum e anestesiada pela cobiça e pela inveja e pelo moralismo inócuo. Talvez no momento da morte deixemos nossas hipocrisias e nos vejamos tão só como personagens de uma infinita ficção. É bem possível que apenas no momento da passagem, saibamos e aprendamos o que, naquele instante, nos é dado abandonar.
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